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Autoria: Vera Vicente
Diretora de Outsourcing e Recrutamento

Num mercado de trabalho próximo do pleno emprego, atrair e reter talento tornou?se um dos maiores desafios para as empresas em Portugal. A escassez de profissionais qualificados, aliada a uma profunda mudança nas expectativas das novas gerações, está a obrigar as organizações a reverem os seus modelos de trabalho e de contratação.

Segundo Vera Vicente, Diretora de Recrutamento e Outsourcing da Wondercom, “as empresas já não conseguem atrair talento apenas com um salário competitivo. Hoje, é indispensável compreender o que os candidatos realmente valorizam e alinhar a proposta de valor com essas prioridades”.

Estas declarações foram partilhadas no âmbito da 25.ª edição da Expo RH 2026, durante uma mesa?redonda dedicada à dificuldade em recrutar talento local, e refletem uma mudança clara de paradigma: o poder negocial deixou de estar exclusivamente do lado do empregador para passar a depender, cada vez mais, da decisão informada dos candidatos.

Num contexto de escassez de talento e elevada mobilidade profissional, deixou de ser suficiente oferecer apenas uma remuneração competitiva. De acordo com o Randstad Employer Brand Research 2025, o salário e os benefícios continuam a liderar as prioridades (74%), mas surgem atualmente acompanhados por fatores como:

  • equilíbrio entre vida pessoal e profissional (64%);
  • ambiente de trabalho positivo (64%);
  • segurança no emprego e progressão na carreira (58%).

Este conjunto de fatores representa, hoje, o “mínimo aceitável” para muitos profissionais considerarem uma mudança.

A entrada da geração Z no mercado de trabalho tem acelerado ainda mais esta transformação. Apesar de partilhar algumas expectativas com gerações anteriores, esta geração distingue?se por uma postura mais exigente, imediata e orientada por valores.

De acordo com o Deloitte Gen Z & Millennial Survey 2025, mais de 85% da Geração Z considera essencial o alinhamento com os valores e o propósito da empresa, procurando um trabalho que faça sentido para lá da componente financeira. O mesmo estudo, mostra também que o desenvolvimento contínuo de competências surge consistentemente entre as principais prioridades desta geração na escolha de um empregador. A estes fatores junta?se ainda uma elevada mobilidade profissional: quase metade dos profissionais da Geração Z admite sair voluntariamente do emprego num horizonte de seis meses, refletindo permanências médias mais curtas nas organizações.

Já os Millennials, embora também valorizem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e as oportunidades de desenvolvimento, revelam uma abordagem mais pragmática, atribuindo maior peso à estabilidade financeira e à segurança no médio e longo prazo.

Para responder a este cenário, as empresas são cada vez mais obrigadas a desenhar modelos de recrutamento ajustados aos diferentes perfis profissionais.

“No caso da Wondercom, trabalhamos com realidades muito distintas”, explica Vera Vicente. “Temos perfis técnicos operacionais, como eletricistas ou canalizadores, que valorizam sobretudo compensações diretas e estabilidade, mas também profissionais das áreas de engenharia e IT, que dão maior prioridade ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ao propósito e a modelos de trabalho mais flexíveis.”

Perante este contexto, a mudança é inevitável.

“As empresas deixaram de definir sozinhas as condições de contratação. Hoje, quem quer atrair e reter talento tem de alinhar a sua proposta com aquilo que os candidatos realmente valorizam”, conclui Vera Vicente.

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