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Autoria: Samuel Cruz
Departamento de Sistemas de Informação

Assistimos ao maior conflito em território europeu desde a Segunda Guerra Mundial e aquele que tem sido também o que, em toda a história mais cobertura tem tido, não só por via dos meios de comunicação tradicionais, mas pela internet. Todos os dias surgem centenas de novos vídeos amadores filmados pelos próprios combatentes de ambas as partes que nos dão conta do que se passa na Ucrânia.

A internet, as redes sociais e as comunicações online trouxeram uma nova dinâmica aos padrões tradicionais de cobertura e divulgação destes acontecimentos e surge com isto uma nova realidade. Esta guerra está a ser travada não só no terreno como na informação e no seu contrário, a desinformação. A transição de um ecossistema de meios de comunicação altamente centralizado para um cenário muito mais fragmentado, com muitas fontes de informação diferentes, mudou radicalmente a forma como as pessoas recebem suas notícias sobre estes eventos globais. Como resultado as pessoas estão hoje a receber versões diferentes da história e da sua cobertura em função dos meios em que a consultam.

Não é só na informação que a internet está presente nesta guerra. Em paralelo com o conflito que se desenrola no território da Ucrânia, outro, mais silencioso e igualmente destrutivo ocorre na rede. Grupos de hackers de ambas as partes têm atacado furiosamente sites e sistemas governamentais e estatais do adversário, tendo o próprio governo russo admitido que estão a sofrer uma vaga de ataques informáticos sem precedentes.

A internet tem aqui outro papel igualmente importante, no da informação ao próprio povo do país atacante que, assumindo que os meios de comunicação tradicionais estão controlados e condicionados pelo regime russo, têm na internet a sua única fonte de informação livre. Logo nos primeiros dias da guerra alguns operadores internacionais cortaram as interligações com a Rússia, com o objetivo de sancionar o país. Isto, na minha opinião, pode ter sido um erro. Cortar o acesso de um país a informação vinda do exterior é precisamente o que um regime opressor faria. Putin deve ter ficado satisfeito.

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